
Esse é um multi-post: ele junta algumas idéias de posts que acabaram por se juntar e (acho eu) fazer sentido serem contados de uma vez só.
Assisti ontem a "2 Jours à Paris", um filme dirigido, escrito e estrelado pela Julie Delpy (pra quem não conhece, a atriz que estrelou "Antes do Amanhecer" e "Antes do Por-do-Sol, do Richard Linklater). Uma característica parece ser comum aos filmes dela que já vi: nada é mais importante que os diálogos. Assim como nos dois "Antes...", o cenário é uma cidade que passa, enquanto dois personagens discutem os assuntos mais banais ou profundos possíveis: amor, guerras, sexo, política, música, relacionamentos. A diferença de "2 Jours" é que em vez de ter Ethan Hawke como um estranho-próximo, Julie contracena com Adam Goldberg ("Zodiaco" e "My Name is Earl") como seu namorado.
Todo o filme pode ser condensado em torno do choque cultural entre o casal. Ao levar o namorada americano-yuppie-hipocondríaco para a casa dos pais em Paris (detalhe curioso do IMDB: os pais de Julie no filme são REALMENTE seus pais!), Julie cria uma barreira enorme entre dois mundos que, até então, pareciam próximos. Todos os ex-namorados de Julie que o casal encontra não seriam o desastre que são se não fosse a completa incapacidade do casal de compreender as diferentes realidades em que vivem, e todos os conceitos e pré-conceitos que cada um traz. Alguns dias visitando a Cidade-Luz acabam na resposta impagável de Goldberg à súplica de Delpy que os dois deveriam aproveitar, pois estavam em Paris: "No, we are in HELL!".
Corta o filme, voltemos à "realidade". A chegada em um país diferente é sempre um pouco traumática, variando de acordo com seu conhecimento da cultura-hábitos-língua. Minhas esperanças quanto ao meu francês estavam bastante em alta quando embarquei; curioso como os parisienses fazem você se sentir humilde quanto àsua proficiência de utilizar a língua deles.
Não bastasse os usos dos pronomes "y" e "en" (que, entre nós brasileiros, já virou termômetro de nosa habilidade com a língua), os parisienses resolveram inventar o Verlan. Verlan, com as sílabas invertidas, soa como "Lanver", ou mais precisamente "L'invers", o inverso. A brincadeira é o seguinte: pegue as palavras, e troque suas sílabas!! Por exemplo, ao dizer "olhe aquela mulher", não se diz "Mates la femme", mas "Tema la Mefe"...
Merde...